Atualmente, o futsal nas categorias de base do estado de São Paulo passa por importantes discussões sobre a melhor forma de incentivar a participação de crianças e adolescentes em campeonatos regionais, estaduais e nacionais, tendo como propósito não apenas a vivência esportiva, mas também a formação do cidadão.
Essa busca constante por novas possibilidades é necessária, considerando que a sociedade está em permanente transformação. Mudam as formas de convívio, as relações, os valores e, consequentemente, a maneira como crianças, adolescentes e adultos vivenciam a competição esportiva.
Nesse contexto, a união de profissionais de diferentes áreas é fundamental para que distintas perspectivas possam contribuir para esse desafio.
Professores de Educação Física, psicólogos, psicanalistas, nutricionistas, fisiologistas, médicos e tantos outros especialistas envolvidos no desenvolvimento humano precisam participar dessa construção.
Não será apenas o ajuste no formato das competições que produzirá grandes transformações.
É necessário realizar uma análise ampla do desenvolvimento psíquico, físico, social e emocional de crianças e adolescentes, integrando esses aspectos às propostas de formação esportiva.
A organização das competições e a definição das categorias são, sem dúvida, importantes. Entretanto, tão importante quanto discutir como e quando as crianças competem é pensar como são formados e preparados os adultos que fazem parte desse ambiente: pais, responsáveis, professores, treinadores e demais integrantes das equipes técnicas.
Conhecimento, conscientização e aplicação prática precisam fazer parte de um programa de transformação do esporte de base.
Um exemplo dos impactos negativos nesse ambiente é o comportamento agressivo ou violento de pais e profissionais do esporte, muitas vezes marcado por cobranças excessivas, desrespeito aos adversários, aos árbitros e até aos próprios atletas. Essas atitudes podem comprometer não apenas a experiência esportiva, mas também o desenvolvimento emocional e a saúde mental de crianças e adolescentes.
Por isso, entendo que mudar apenas o formato das competições ou adaptar a distribuição das categorias não será suficiente para transformar o comportamento dos envolvidos no esporte de base.
A verdadeira transformação passa também pela formação das pessoas que educam, orientam, acompanham e convivem diariamente com o atleta.
Texto: Anderson do Prado (Pinduca)
@pinducaprado
Psicanalista e Profissional do Esporte







