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O cartão de visita que ninguém guarda

Há lições que não chegam em forma de palestras, livros ou mentorias. Elas surgem em momentos simples, durante uma conversa à mesa, enquanto compartilhamos uma refeição.

 

Recentemente, participei de um evento com o meu padrinho. Chegamos, almoçamos e começamos a interagir com pessoas que nunca tínhamos visto antes. O ambiente era leve, descontraído e propício para criar novas conexões.

 

Na nossa mesa havia um empresário que, poucos minutos após nos sentarmos, começou a distribuir cartões de visita enquanto falava sobre o seu negócio. Apresentou os seus serviços, explicou o que fazia e entregou o seu contacto a praticamente todos que estavam ali.

 

O almoço seguiu normalmente. Conversamos, rimos, conhecemos histórias e, no final, cada um seguiu o seu caminho.

 

Foi então que o meu padrinho fez um comentário que, naquele momento, pareceu apenas uma opinião, mas que acabou se transformando numa das maiores lições de networking que já recebi.

 

Ele disse:

 

“Eu jamais fecharia contrato com esse senhor. As pessoas, quando se sentam para comer, a pior coisa que podes fazer é tentar vender o teu negócio. Muito provavelmente, o que vai acontecer é as pessoas deitarem aquele cartão fora.”

 

Naquele instante, entendi que havia algo muito mais profundo naquela frase.

 

Demorei semanas para decifrar o verdadeiro significado daquela mensagem.

 

Até que um dia resolvi procurar o cartão de visita daquele empresário.

 

E, para minha surpresa…

 

…não fazia ideia de onde ele estava.

 

Não me lembrava se o tinha colocado na carteira, na bolsa ou simplesmente o tinha perdido.

 

Mas havia algo de que eu me lembrava perfeitamente.

 

Depois daquele almoço, conversei genuinamente com outras pessoas. Ouvi as suas histórias, fiz perguntas, demonstrei interesse, ri junto, troquei experiências.

 

E foi exatamente com algumas dessas pessoas que, mais tarde, fechei negócios.

 

Nenhuma delas começou a conversa tentando vender alguma coisa.

 

Primeiro construíram uma relação.

 

Só depois surgiu a oportunidade.

 

Foi aí que compreendi um princípio que vale ouro:

 

As pessoas compram de quem gera conexão, não de quem apenas distribui cartões.

 

Vivemos numa época em que muitos acreditam que vender é falar sem parar sobre o próprio trabalho. Mas vender é, antes de tudo, criar confiança.

 

As pessoas não se lembram necessariamente do teu discurso de vendas.

 

Elas lembram-se de como se sentiram ao teu lado.

 

Lembram-se da conversa.

 

Da atenção.

 

Da escuta.

 

Da presença.

 

Um cartão de visita pode abrir uma porta.

 

Mas uma conexão verdadeira abre muitas outras.

 

Hoje percebo que o cartão mais valioso que carregamos não é feito de papel.

 

É a nossa capacidade de fazer o outro sentir-se visto, ouvido e respeitado.

 

Negócios passam.

 

Produtos mudam.

 

Serviços evoluem.

 

Mas relacionamentos bem construídos continuam a gerar oportunidades durante anos.

 

Desde então, sempre que entro num ambiente novo, faço um compromisso comigo mesma:

 

Não entro para vender.

 

Entro para conhecer pessoas.

 

Porque, no fim das contas, os melhores negócios quase nunca começam com uma proposta.

 

Começam com uma conversa genuína.

 

Elizandra Santos

E-mail: geral@elizandrasantos.com

Instagram: @ellizandra_santoos

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